domingo, 28 de agosto de 2016

Luz! Mais luz!


Estátua de Goethe, em Chicago, EUA, pelo escultor alemão Hermann Hahn, instalada em 1913.


“Esta é a mais alta sabedoria que possuo: só é digno da liberdade, como da vida, aquele que a cada novo dia sai por elas em combate.” — Goethe



Missão, por Arno Breker

Prontidão, por Arno Breker


“O maior mérito do homem consiste sem dúvida em determinar tanto quanto possível as circunstâncias e em deixar-se determinar por elas tão pouco quanto possível. Todo o universo está perante nós como uma grande pedreira perante o arquiteto, o qual só merece esse nome se com a maior economia, conveniência e solidez constituir, a partir dessas massas acidentalmente acumuladas pela Natureza, o protótipo nascido no seu espírito. Fora de nós, tudo é apenas elemento. Sim, até posso dizer: tudo o que há em nós também. Mas no fundo de nós próprios encontra-se essa força criadora que nos permite produzir aquilo que tem de ser e que não nos deixa descansar, nem repousar, enquanto não o tivermos realizado, de uma maneira ou de outra, fora de nós ou em nós.” — Goethe



Zeus de Artemísio, Grécia Antiga

Templo de Hefesto, em Atenas, Grécia Antiga


“Tudo o que em nós há de original conserva-se-á tanto melhor e será tanto mais apreciado quanto mais formos capazes de não perder de vista os nossos antepassados.” — Goethe


Catedral de São Pedro, em Roma (Vaticano), Itália

Catedral de Nossa Senhora de Kazan, em São Petersburgo, Rússia

Panteão Nacional, em Lisboa, Portugal

O Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Portugal


Panteão, em Paris, França

Catedral de St. Paul, em Londres, Inglaterra

Capitólio dos Estados Unidos, em Washington DC, EUA


“É sempre igual a luta do que é antigo, que já existe e procura subsistir, contra o desenvolvimento, a formação e a transformação. Toda a ordem acaba por dar origem à pedanteria e para nos libertarmos dela a destruímos. Depois, demora sempre algum tempo até que se ganhe consciência de que é preciso voltar a estabelecer uma ordem.”
— Goethe


Projeto arquitetônico de Albert Speer para Berlin





Autobahn com dois Volkswagens: foto-propaganda de celebração dos 10 anos da realização nacional-socialista — Janeiro de 1943

Projeto do Mercedes-Benz T80, por Ferdinand Porsche — carro destinado a quebrar o recorde de velocidade da época



Teste com avião de combate nacional-socialista — 1940

Projeto de Horten Ho-IX — avião mais avançado de seu tempo



Foguete V-2 — tecnologia que em menos de três décadas levaria o homem à Lua 


“O clássico face ao romântico, a obrigação corporativa face à liberdade profissional, o latifúndio face à pulverização da propriedade fundiária: o conflito é sempre o mesmo e há-de sempre dar origem a um novo conflito. Deste modo, a maior prova de entendimento por parte do governante seria regular essa luta de tal maneira que, sem prejuízo de cada uma das partes, conseguisse manter-se eqüidistante. É, no entanto, uma possibilidade que não foi dada aos homens, e deus não parece querer que assim aconteça.”
— Goethe


A Torre de Babel, por Pieter Bruegel, O Velho.

Sede do Parlamento da União Européia (em Estrasburgo, França)
Embora não pareça, a obra, como vista nessas duas imagens (em cima e em baixo), está concluída. Ela foi apropriadamente chamada de ‘Louise Weiss’, em homenagem à judia feminista que incentivou sua criação. 




“A Alemanha existe somente para assegurar a existência do Estado de Israel e do povo judeu.” — Martin Schulz, atual presidente da União Européia




Projeto do Palácio dos Sovietes com estátua de Lênin no topo (à direita), que seria construído no lugar da Catedral de Cristo Salvador. Como a Torre de Babel (retratada por Athanasius Kircher, à esquerda), o projeto não foi levado adiante, embora a catedral, uma das principais da Igreja Ortodoxa Russa, em Moscou, tenha sido demolida por ordem de Stalin.


Catedral de Cristo Salvador, reconstruída após o fim do regime comunista.


“A vontade, para ser perfeita e eficaz, tem de se adequar: no plano moral, a uma consciência sem erro; no domínio das artes, à regra — regra que em nenhum lado está enunciada. A consciência não precisa de nenhum elemento predecessor, porque já está contida em si mesma e só presta contas com seu próprio mundo interno. O gênio criador também não precisaria de nenhuma regra, por ser auto-suficiente; mas, uma vez que sua eficácia se dirige ao plano exterior, está condicionado por uma série de contingências materiais e temporais, que impõem uma série de dificuldades. É assim que tudo que diz respeito à arte, da composição de uma música à elaboração de um poema, da produção de uma estátua à confecção de um quadro, deve ser, do princípio ao fim, tão maravilhoso quanto complicado.” — Goethe 


Goethe no Campo Romano, por Johann Heinrich Wilhelm Tischbein (1787) — retratando Goethe em sua viagem pela Itália em busca de inspirações clássicas


“Somos todos peregrinos em busca da Itália.” — Goethe


Arte e Literatura, por William-Adolphe Bouguereau


Rosto de uma Moça, por William-Adolphe Bouguereau

Elegia, por William-Adolphe Bouguereau

Bíblis, por William-Adolphe Bouguereau

Inocência, por William-Adolphe Bouguereau

Admiração Maternal, por William-Adolphe Bouguereau

Canção de Ninar, por William-Adolphe Bouguereau

Caridade, por William-Adolphe Bouguereau

A Mãe-Terra, por William-Adolphe Bouguereau

Rainha dos Anjos, por William-Adolphe Bouguereau

O Nascimento de Vênus, por William-Adolphe Bouguereau

Ninfas e Sátiros, por William-Adolphe Bouguereau

O Rapto de Psiquê, por William-Adolphe Bouguereau

Cupido e Psiquê, por William-Adolphe Bouguereau

Menina Italiana Carregando Água, por William-Adolphe Bouguereau

Garota com duas cestas de fruta, por Adolf Ziegler

Os Quatro Elementos, por Adolf Ziegler

“A mais alta realização da arte e do gênio tem uma aparência de facilidade e leveza, e o imitador sente-se tentado a facilitar as coisas para si e trabalhar apenas nessa aparência superficial. Assim a arte gradualmente declina de sua condição elevada, tanto no todo como nos detalhes.” — Goethe


O Bêbado, por Marc Chagall, chamado pelos críticos de “a quintessência do artista judeu.”

Rabino com Torá, por Marc Chaggall

Auto-retrato, por Marc Chagall

Arquitetura Soviética


Sinagoga em Israel


Aeroporto Ben-Gurion, em Israel





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“Para Goethe, Mentor do Povo Alemão — Alemães de Chicago, 1913”


“Os homens não se conhecem uns aos outros com facilidade, ainda que ponham nisso o melhor da sua vontade e das suas intenções. Porque há sempre que contar com a má vontade que tudo distorce. Conhecer-nos-íamos melhor uns aos outros se não estivéssemos sempre a querer comparar-nos uns com os outros. Decorre daí que as pessoas fora do vulgar ficam em pior situação, porque, como as outras não chegam a poder comparar-se com elas, tornam-se alvo de demasiada atenção.” — Goethe


Busto de Nietzsche


“Passa-se com os livros uma coisa semelhante ao que sucede com um novo conhecimento que travamos com alguém. Num primeiro momento experimentamos um profundo prazer em encontrar coincidências gerais de opinião ou ao nos sentirmos tocados num aspecto importante da nossa existência. Só depois, quando o conhecimento se aprofunda, começam a surgir as diferenças. Nessa altura, o comportamento inteligente caracteriza-se pela capacidade de não retroceder imediatamente, como muitas vezes acontece na juventude, e de pelo contrário reter o que há de coincidente enquanto se vão esclarecendo mutuamente todas as diferenças, sem se pretender chegar a acordo absoluto.” — Goethe


Hitler próximo ao busto de Nietzsche, 1934 (Cortesia do Arquivo Goethe-Schiller, Weimar)


Hitler sob o monumento a Goethe & Schiller em Weimar

domingo, 21 de agosto de 2016

Saúde física, mental e espiritual



Adolf Hitler, ídolo de uma Alemanha que se viu totalmente quebrada por uma guerra injusta, armada por uma conspiração, e então recomposta por uma mão firme que não tolerava mais os conspiradores.


Josef Stalin, o Borat genocida, ídolo sanguinário dos comunas apátridas, que conspirou pela aniquilação da Rússia sob um monstro chamado União Soviética, controlado por judeus e maçons.

Winston Chuchill, o gordo mafioso da maçonaria, vendido aos sionistas, ídolo da pseudo-direita liberalóide neo-conservadora.

Franklin Delanlo Roosevelt, o desmiolado ídolo da esquerda liberal-burguesa-chique.


“Se não foi um liberal aos vinte anos, você não tem coração. Se não é um conservador aos quarenta, você não tem cérebro” — Winston Churchill


“Erro só é bom quando somos jovens. Quando envelhecemos, não convém que os arrastemos atrás de nós.” — Goethe




“Não devemos jamais nos render.” — Winston Churchill




“Todos os pensamentos sábios já foram pensados inúmeras vezes. Mas para que possamos possui-los, devemos pensá-los continuamente e com honestidade, até que estejam enraizados em nossa experiência pessoal.” — Goethe




“O crime mais condenável de Hitler foi a sua tentativa de livrar o poder econômico alemão do sistema financeiro mundial e, assim, criar seu próprio mecanismo de comércio, o que acabava com as chances de lucro do mercado mundial.” — Winston Churchill


“Pode-se facilmente julgar o caráter de um homem pelo modo como ele trata aqueles que não podem oferecer nada em troca.” — Goethe


”Um conservador é um homem com duas pernas perfeitamente boas, mas que nunca aprendeu a andar para frente.” — Franklin Roosevelt



 “Viver como se gosta é plebeu. O nobre aspira à lei e à ordem.” 
— Goethe






”Vocês precisam entender que essa guerra não é contra Hitler ou contra o Nacional-Socialismo, mas contra o forte povo alemão, que precisa ser esmagado de uma vez por todas, não importando se esse povo é governado por Hitler ou por um padre jesuíta.”
 — Winston Churchill




“O ódio é ativo. A inveja, uma aversão passiva. Há uma tênue linha entre ambos.”
 — Goethe





Stalin fumando seu cachimbo, prática que lhe rendeu uma doença inflamatória crônica nos vasos sangüíneos, agravando sua saúde já deteriorada.

”Bebo como uma esponja, não durmo quase nada e fumo um charuto atrás do outro. É por isso que estou duzentos por cento em forma.” — Churchill, reagindo à declaração de Hitler de que estava cem por cento em forma porque não fumava, não bebia e dormia bem.



“Cuide ao máximo de seu corpo. A alma só pode enxergar através desses olhos, e se eles estiverem turvos, o mundo todo parecerá embaçado.” — Goethe


O Verdadeiro Versus o Falso: A Batalha Pela Alma de Nosso Povo



“O verdadeiro e bom é simples e é sempre idêntico a si mesmo, seja qual for a forma sob a qual ocorre.” — Goethe


Benito Mussolini e Adolf Hitler, dois líderes de direita-nacionalista.


“O erro, sobre o qual recai a censura, é de uma extrema diversidade, diferente em si mesmo, em luta não apenas contra o verdadeiro e bom mas também em luta consigo mesmo, sempre em contradição consigo próprio.” — Goethe


Josef Stalin, líder de esquerda-comunista; Franklin Delano Roosevelt, líder de esquerda-liberal; e Winston Churchill, líder de direita-liberal.


“Cada vez que se liberta o espírito humano de uma hipótese que o limitava de modo desnecessário, que o forçava a ver errada ou parcialmente, a efetuar combinações errôneas, a enveredar por sofismas em vez de articular juízos rigorosos, presta-se-lhe já um importante serviço. Porque o espírito humano passa então a ver os fenômenos com maior liberdade, passa a encará-los noutras combinações, em diferentes relações, ordena-os a seu modo, e recupera a possibilidade de errar por si próprio e à sua maneira. Coisa que é inestimável, porque não tardará que, na seqüência, o espírito humano consiga descobrir os seus próprios erros.” — Goethe




Harry S. Truman (liberalismo), presidente americano que substituiu Franklin D. Roosevelt no fim da Segunda Guerra, liga num cumprimento fraterno os dois lados da dialética sionista (neoconservadorismo e comunismo).


“Na política, como no leito de morte, as pessoas viram-se de lá para cá acreditando que encontrarão uma posição mais confortável.”
 — Goethe


”Um comunista é como um crocodilo: quando ele abre a boca, não podemos saber se está tentando sorrir ou preparando-se para nos abocanhar.” — Churchill, trocando sorrisos com os maiores genocidas da Segunda Guerra Mundial.

“Nada denuncia mais o caráter de um homem do que aquilo que o faz rir.” — Goethe


Ao menos em relação a um deles, o crocodilo-mor Josef Stalin, os neocons (falsos conservadores, no Brasil liderados pelo maçom-sionista Olavo de Carvalho) admitem ter de fato cometido um genocídio maior do que o atribuído a Adolf Hitler. Desse modo, fica a grande dúvida de por que então, dentro dessa mesma lógica, seria preferível aliar-se ao sujeito que foi mais genocida... se aliás o argumento puramente pragmático que utilizam para isentar os crimes de guerra dos adversários de Hitler é que, de qualquer modo, esse teria sido mais “diabólico”, e, portanto, optar pelo outro lado seria optar pelo mal menor.

Ou será que o motivo para irem contra Hitler nada tem a ver com desejos humanitários de salvar a vida de milhões de inocentes, como o apelo sentimental de nossos tempos tanto obriga a massa a acreditar?

Vejamos então algumas declarações curiosas...

“Hitler teve sucesso na restauração da Alemanha, levando-a de volta à posição de maior potência da Europa, e ele não somente restaurou a posição de seu país, como também, em grande medida, até mesmo reverteu os resultados da Primeira Guerra Mundial. Tais feitos foram certamente os mais notáveis em toda a história do mundo.” — Winston Churchill




“Se a Grã-Bretanha tivesse sido derrotada na guerra, minha esperança seria que tivéssemos encontrado um Hitler para nos liderar e pôr de volta em nossa posição de direito entre as nações.” — Winston Churchill




“O crime mais condenável de Hitler foi a sua tentativa de livrar o poder econômico alemão do sistema financeiro mundial e, assim, criar seu próprio mecanismo de comércio, o que acabava com as chances de lucro do mercado mundial.” — Winston Churchill




“Esse movimento entre os judeus, como o que originou a Revolução Russa, não é de hoje. Desde os dias de Weishaupt (Illuminati da Baviera) até os de Karl Marx, indo para os de Trotsky (na Rússia), Bela Kuhn (na Hungria), Rosa Luxemburgo (na Alemanha) e Emma Goldman (nos Estados Unidos), essa enorme conspiração mundial para a derrocada da civilização e reconstrução da sociedade com base no encarceramento da evolução, na maldade enciumada e na igualdade impossível, tem crescido cada vez mais.

Como tão habilmente tem mostrado a Sra. Nesta Webster, esse movimento desempenhou parte na tragédia da Revolução Francesa. Ele foi a mola mestra de cada movimento subversivo durante o século XIX; e agora, finalmente, essa horda de personalidades fora do comum tem agarrado o povo russo pelos cabelos e, assim, se tornou praticamente os incontestáveis dirigentes desse enorme império.

Não é preciso exagerar acerca da parte desempenhada por esses judeus internacionais (em sua maioria ateus) na criação do bolchevismo e no atual levante da Revolução Russa. Ela é certamente grande e provavelmente maior do que todas as outras.

A maioria das figuras de liderança são judeus. Ademais, a principal inspiração e força dirigente vêm dos líderes judeus. Nas instituições soviéticas, a predominância judaica é ainda mais chocante; e a parte de destaque, se não de fato exclusiva, do sistema de terrorismo aplicado pelas Comissões de Combate Contra-Revolucionário tem sido tomada por judeus.

A mesma proeminência maligna foi obtida por judeus em um breve período de terror em que Bela Kuhn reinou sobre a Hungria. O mesmo fenômeno esteve presente na Alemanha, tanto quanto se permitiu que essa loucura depredasse o temporariamente prostrado povo alemão.

A parte desempenhada por judeus em proporção ao número deles na população é assombrosa. O fato de que em muitos casos os interesses judaicos e os locais de culto judaico são isentados, pelos bolcheviques, de suas hostilidades universais, tem aumentado mais a associação da raça judaica com as vilanias que agora são perpetradas. Trotsky (de nome real Lev Bronstein) esquematizou um Estado comunista mundial sob a dominação judaica.”

— Winston Churchill, em ‘Sionismo Versus Bolchevismo: A Batalha Pela Alma do Povo Judeu’




“Entre o momento em que Churchill escreveu ‘Sionismo Versus Bolchevismo’ e o momento em que foi escolhido para ser o principal instrumento de realização dos objetivos judaicos na Grã-Bretanha, ele obviamente foi submetido a uma enorme mudança de opinião. Eu creio que um dia ele se viu confrontado por um dos grandes magnatas judeus das finanças internacionais que, sem rodeio, disse-lhe que se ele voltasse a fazer declarações sobre os judeus nesses termos depreciativos, ele seria liqüidado; mas que, se ele se provasse um de seus homens, então eles o fariam uma das maiores figuras do mundo moderno, e seu nome um dos mais ilustres da história. Diante disso, ele se submeteu. 

A partir de então ele era uma ferramenta sionista. Alinhado a tudo isso está o conhecido fato de que Churchill veio para os EUA no início dos anos trinta e foi um convidado de Baruch, em Nova York. Naquela época, ele estava fora de seu ofício, e ficou aqui por algum tempo. Além disso, a propriedade de sua casa na Inglaterra estava à venda, o que sugere que ele se encontrava numa situação financeira bastante embaraçosa. Mas quando ele retornou à Inglaterra, sua propriedade foi retirada da praça e ele se juntou à cruzada mundial dos judeus pela destruição da Alemanha.”

 — William Gayley Simpson (‘Wich Way Western Man?’ - page 1013)




Winston Churchill com Bernard Baruch, magnata judeu das finanças internacionais.


“Dinheiro perdido, alguma coisa perdida. Honra perdida, muita coisa perdida. Coragem perdida, tudo perdido.” — Goethe

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Bandidos de mente estacionária

   Já há um tempo que, neste resquício de país chamado Brasil, temos vivido um estado social patológico, cada vez mais agravado pela torpe mentalidade esquerdista. Isso que digo, aliás, está longe de constituir uma novidade para qualquer pessoa que raciocine acima do nível de inteligência de um berimbau. E, hoje mais cedo, ao me deparar com uma coluna do site Yahoo, apenas obtive mais uma das centenas de confirmações diárias desse fato. 

   O texto intitula-se ‘Mulheres e estupradores; os reais e os simbólicos’. Traduzido para uma forma mais sintética, direta e franca, a mensagem que temos ali apresentada é a seguinte: Eduardo Cunha, o atual presidente da câmara, a despeito de ser, como diversos outros de seus semelhantes (aliados ou rivais), mais um político envolvido em densos esquemas de corrupção, representa, no entanto, um fator de contraposição ao governo do PT — devendo, por essa exclusiva razão (meio velada, é claro), ser encarado como o símbolo de todo o mal no universo.

   A redação do fulano chega até a sugerir algo de uma certa razoabilidade, como o fato evidente de que, numa disputa entre bandidos, deve haver aquele que é o pior e que, assim, deveria ser mais evitado. Contudo, nesse caso, a grande questão ainda é, obviamente, descobrir qual é este pior. Mas para o autor da coluna, tal questão já está resolvida: o lado “conservador” representa o pior tipo, já que estimularia, através de atos simbólicos e facilitações jurídicas, o estupro generalizado de mulheres, o genocídio, o infanticídio e, enfim, tudo que há de mais perverso e diabólico.

   Bem, é claro que exageros de percepção sempre estarão presentes em ambos os lados de uma contenda ideológica coletiva. Dessa forma, tipos médios de esquerda acusarão os direitistas de serem os responsáveis por toda a maldade e violência do mundo, enquanto tipos médios de direita devolverão as mesmas acusações contra os esquerdistas. Isso é de se esperar entre tipos medianos que, incapazes de uma reflexão mais aprofundada, limitam-se a aderir a movimentos coletivos que fanaticamente defendem suas causas prontas, execrando o adversário.

   O triste é verificarmos esse padrão de comportamento sendo repetido por indivíduos que se encontram não encolerizadamente gritando nas ruas, mas friamente expressando-se para órgãos da mídia. É o caso desse sujeito que elaborou tal matéria. Toda sua visão de mundo, se repararmos, está reduzida às mesmas fórmulas simplórias que movem o tipo medíocre, de raciocínio leviano, que sai tomando seus posicionamentos de maneira impulsiva. 

   Pois analisemos o quadro pintado pelo camarada: primeiro, baseando-se numa teoria em si reducionista — que, aliás, tipicamente reflete a animalesca concepção de mundo do esquerdista, segundo a qual tudo é regido por fatores exclusivamente materialistas, em que mesmo os sentimentos mais nobres da humanidade não são reais, mas meras ferramentas ilusórias biologicamente engendradas para nos manter estabilizados como animais dentro de um universo mecânico, frio, cego e opressor —, temos que as estruturas básicas de uma sociedade estariam, assim, constantemente moldando-se entre dois estados distintos de banditismo institucional. De um lado, aquele que se refere ao tipo mais selvagem de bandido (chamado, nessa teoria, de “bandido itinerante”), que assalta, estupra, mata, e, como um bárbaro nômade que esgota todos os recursos do local por onde passa, em seguida vai embora em busca de uma nova vila para atacar. E, do outro lado, o bandido mais civilizado, que sedentariamente permanece numa determinada região, bolando mecanismos mais sofisticados de exploração de suas vítimas, sem esgotá-las por completo e até lhes garantindo uma margem de segurança pública para que continuem habitando o local com alguma estabilidade, podendo mesmo progredir em suas vidas (e, assim, serem cada vez mais sugadas por esses bandidos).

   Quer dizer, a teoria aponta para alguns dados elementares já bem conhecidos por todos, referentes a tipos de bandidos que podemos facilmente reconhecer no âmbito público. Evidentemente, o erro dela está em querer reduzir toda nossa realidade política e social a esses fatores de banditismo, como se não houvesse, paralelamente (e mesmo em preponderância, no caso de uma sociedade saudável), algo de intrinsecamente bom, positivo, nobre e necessário nas estruturas de um governo, já que, supostamente, todos os governantes não passariam de bandidos deste tipo civilizado (os tiranos... ou “bandidos estacionários”, como chamado nesta teoria chinfrim, talvez para se atribuir um pretenso ar de seriedade), aos quais nos sujeitaríamos apenas como forma de evitar o outro tipo de bandido, mais violento e cruel.

   Mas deixando um pouco de lado esse aspecto, é de se notar apenas a forma completamente insana com que o colunista do Yahoo procura associar ao tipo conservador essa categoria do bandido mais selvagem e agressivo, partindo-se, no entanto, de razões que, à primeira vista mesmo, já acabam denunciando o contrário do que ele mesmo conclui com suas justificativas furadas. Por exemplo, ele diz que, ao procurarem reforçar as leis anti-aborto, os conservadores estariam mostrando que se aproximam mais da atitude violenta de soldados que invadem cidades, estupram mulheres e queimam bebês em fogueiras. Quer dizer... leis contra o aborto... ligadas ao infanticídio? Não seria exatamente o contrário? Afinal, não é o incentivo à cultura do aborto que está mais relacionado ao sacrifício de bebês? É evidente que sim. Qualquer pessoa capaz de verificar que 1+1=2 percebe claramente isso. Mas o colunista do Yahoo prefere enxergar o inverso da realidade.

   Outro exemplo: segundo o colunista, pelo fato de o conservador desejar que se libere o porte de armas à população civil, isso provaria como ele está mais próximo da conduta do bandido agressivo que quer apenas sair por aí assaltando, estuprando e matando. Quer dizer... ai minhas bolas... como se não fosse óbvio o bastante que a intenção de se liberarem as armas é a de justamente possibilitar alguma forma de defesa por parte do cidadão comum contra o bandido que, esse sim, DIFERENTE DO CIDADÃO COMUM, é quem costuma assaltar, estuprar e matar, e que jamais precisou de liberação de armas para adquirir a sua por meios ilegais. De modo que, mais uma vez, fica claro que quem deseja o porte legal de armas pensa apenas em coibir o bandido selvagem, não em praticar crimes hediondos como esse; enquanto quem vai contra essa medida é que está na verdade facilitando a vida desses mesmos bandidos, cada vez mais violentos ante a passividade de suas vítimas (no fundo, todos sabem como esquerdista adora um bandidinho, parecendo até mesmo se identificar visceralmente com essa raça verminal). Mas para o fulano esquerdista que escreveu a coluna carrolliana, parece mais fácil inverter a realidade e afirmar o oposto do que nos diz a lógica mais simples e ordinária.

   Depois, porque o conservador estaria querendo barrar as aleatórias demarcações indígenas de terra, isso mostraria como ele é “genocida”. Quer dizer, para o colunista, o índio deve realmente representar o tipo mais civilizado, já que enterra vivas suas crianças deficientes, esfola seus jovens em rituais de iniciação, aplica penas capitais a mulheres que transgridem pequenas convenções supersticiosas... e o homem branco deve ser, assim, o mais primitivo, mais próximo do “bandido itinerante”, bárbaro, violento, uma vez que elaborou os códigos mais avançados da nossa civilização e construiu os sistemas de ordem pública mais eficientes e sensatos, inclusive proporcionando maior liberdade a todos (de fato, uma liberdade que as mulheres jamais sonhariam em ter nessas tribos indígenas). Sim, tudo isso faz um enorme sentido para o zé esquerdista. Por isso temos que ver o índio como superior ao homem branco e nos sujeitar aos seus caprichos de “bandido estacionário” para, quem sabe, levar algum progresso à nossa sociedade bárbara e cruel, comandada pelos “bandidos itinerantes”.


   Enfim, como vai ficando cada vez mais claro à medida que lemos textos como esse, o pensamento da esquerda é algo que revela somente a maior torpeza, a maior demência, a maior psicopatia, sendo até difícil saber se estamos a lidar com cínicos ou esquizofrênicos. É de se apostar que seja um misto de ambos, claro. De qualquer forma, isso é só mais um sinal do estado doentio em que se encontra o Brasil atualmente.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O jogo de manipulação gnóstica no cinema - Parte I





   Em 1997, foi lançado o suspense The Game (‘Vidas em Jogo’, no Brasil), dirigido por David Fincher e protagonizado por Michael Douglas; desde então, muitos foram os que se disseram decepcionados e/ou irritados com seu desfecho. Tal reação, no entanto, é compreensível, dado o fato de que a película pretendeu algo não muito usual em termos narrativos: brincar com nossa expectativa até o limite do suportável e, mais importante que isso, abordar um dos temas mais caros a uma determinada corrente esotérica infiltrada em Hollywood: o poder oculto de manipulação da realidade. A quem não notou esse detalhe fundamental só restou mesmo ficar decepcionado com os constantes “abusos” de verossimilhança ou indignado com os seguidos finais falsos e quebras de expectativa. Quem, entretanto, foi capaz de captar sua verdadeira intenção esotérica pôde apreciar uma verdadeira obra de arte, construída à perfeição e elencando-se como um dos grandes filmes do gênero, pois que brilhantemente dirigido e produzido.

   Pelo menos desde o clássico literário ‘Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister’ (1795), de Johann Wolfgang von Goethe (curiosamente nascido no mesmo dia que o diretor David Fincher: 28 de agosto), temos visto este específico tema ser abordado na ficção: a idéia de sociedades secretas que manipulam eventos mínimos da realidade para fins de determinar o destino humano (sejam em proporções históricas ou individuais). Wilhelm Meister, o protagonista do romance de Goethe, termina sua trajetória de formação pessoal descobrindo que por trás de uma série de eventos ocorridos na sua vida, atuava, de forma constante e imperceptível, um grupo de agentes camuflados pertencentes a uma tal Sociedade da Torre (uma sociedade secreta concebida de forma genérica para a estória, porém, evidente, ressoando o mesmo espírito da Maçonaria e da chamada “Mão Oculta”, cujo sinal característico está no gesto de ocultar uma das mãos no paletó, como vemos num famoso retrato do jovem Goethe e de outras diversas personalidades históricas)... sem saber, entretanto, até que ponto essa “mão oculta”, com sua influência subliminar, o teria levado a tomar as decisões que tomou durante seu percurso juvenil.




   Trazendo o foco para um contexto mais contemporâneo, me vêm à cabeça quatro filmes recentes que exploram justamente este mesmo aspecto temático: Unknown (2011), Limitless (2011), The Manchurian Candidate (2004) e Arlington's Road (1999).

   Em Unknown (Desconhecido, no Brasil), um cientista — interpretado por Liam Neesom — sofre um acidente de carro e, ao acordar do coma, depara-se com a desesperadora situação de ser dado por todos ao seu redor como desconhecido, enquanto outro sujeito toma completamente seu lugar num refinado encontro social na Alemanha; o mais sinistro é que até sua esposa mostra reconhecer o usurpador e não ele próprio como o legítimo dono de sua identidade, fato esse que o deixa profundamente perturbado e, inclusive, com dúvidas a respeito de sua própria história pessoal. 




   Após alguns reveses, o personagem de Liam compreende, no entanto, que está sendo vítima de uma conspiração, motivada pelo fato de ter ele acesso a certos círculos privilegiados da elite científica mundial. Então, completamente abandonado em Berlim, o cientista busca ajuda de um velho detetive particular nativo da cidade. Enquanto explica seu caso ao detetive, Liam comenta sobre a natureza extremamente profissional dos conspiradores: “Os responsáveis estão planejando isso há algum tempo, eles têm passaporte, cartões de crédito, fotos de família... pelo amor de deus, eu acho que isso requer preparação, não é mesmo? Eles têm conhecimento detalhado da minha pesquisa, do meu relacionamento com o professor...”, até que o detetive o interrompe: “...além do fato de que você ia passar por um acidente aleatório, que daria chance a um estranho de tomar o seu lugar... Este pessoal pode ser bom, mas não é Deus.”

   Nessa pequena linha de diálogo, encontra-se discretamente sinalizado o cerne filosófico da escola esotérica em questão: a pretensão de ser como que Deus na Terra. 

   Ao final, é revelado que o protagonista (assim como sua aparente esposa) era, na realidade, um agente secreto dessa mesma organização que o perseguia, mas que, devido aos danos cerebrais causados pelo acidente de carro, acabou assumindo como sua real identidade a do cientista (essa sim um mero disfarce preparado para ele em sua missão de se infiltrar no tal círculo de elite para roubar o projeto científico), e só por isso havia sido, então, descartado, de modo que outro agente (um de reserva; que no entanto é percebido pelo desmemoriado Liam como o “usurpador”) cumprisse a missão de que ele se esquecera após o acidente. No entanto, sem ter mais nenhuma memória certa, ou identidade definida, ou mesmo propósito na vida, o protagonista decide voltar-se contra essa mesma organização secreta (que afinal agora o perseguia para uma queima de arquivo) e acaba cumprindo, desse modo, um objetivo contrário ao que de início havia sido designado para realizar: o de salvar este mesmo projeto científico, cujo caráter revolucionário é o que justamente incomodava a tal organização secreta (“conservadora”, “reacionária”, e portanto malvada). 

   E aqui entra o elemento mais desafiador da estória, que só pode ser retido através de uma leitura sutil: a inocente taxista que, ao longo de toda a trama, ajuda o herói a se safar dos perigos é, também, uma agente disfarçada, só que de uma outra organização secreta — essa sim muito mais secreta, pois que se mantém oculta até aos próprios telespectadores —, cuja missão era justamente influenciar os mais variados eventos na trajetória do protagonista. Pois, embora não fique explícito, o final ambíguo, com o “cientista” e a “taxista” juntos, adquirindo uma identidade nova e sumindo no meio da multidão rumo a um novo objetivo, é toda a indicação necessária para que, na linguagem hollywoodiana, se confirme essa hipótese.

   Logo, temos a seguinte mensagem subliminar passada pelo filme: como dizia o detetive alemão, o pessoal da organização secreta que tentava sabotar o projeto científico é bom (no sentido de eficiente)... mas a outra organização, que atuou de forma oculta (inclusive aos próprios telespectadores) para proteger a pesquisa, e que estava assim muitos passos à frente desse primeiro grupo secreto, manipulando eventos ainda menores e mais complexos — como o “acidente” que faria o protagonista perder sua memória e então passar para o lado dela —, essa sim representa uma força divina, para a qual nada parece impossível de executar (além disso, sendo a taxista-espiã um arquétipo do sagrado feminino, que traz a redenção ao protagonista).

   The Manchurian Candidate (Sob o Domínio do Mal), de 2004, é outro filme que, à semelhança de Unknown, reflete uma disputa entre duas organizações secretas rivais nos bastidores da política. Mas enquanto Unknown só insere de forma explícita no enredo a organização secreta do mal, mantendo oculta a do bem (perceptível apenas naquela leitura sutil), The Manchurian Candidate já prefere revelar ao telespectador a existência concreta dessa segunda organização do bem (o que é feito, no entanto, só no final). 

   Aqui, temos uma trama que gira em torno de uma perversa agência governamental, que programa mentalmente um pequeno grupo de militares (aproveitando-se, claro, os diversos mitos em torno do projeto MKUltra). O objetivo de tal agência é fazer com que esses soldados, já então como civis, executem tarefas pré-determinadas, as quais, em perfeita sintonia, devem resultar na concretização de um ambicioso plano político: colocar um desses homens-cobaias como o novo presidente dos EUA, já que ele irá obedecer como marionete a todas as ordens dos comandantes ocultos. No entanto, esses indivíduos manipulados não têm consciência de nada do que se passa (como a experiência de lavagem cerebral que sofreram no passado ou mesmo as tarefas que deverão cumprir no futuro), pois memórias artificiais foram implantadas em seus subconscientes e eles só realizarão as tarefas quando personalidades alternativas forem ativadas por comandos específicos numa espécie de estado hipnótico.





   No final, porém, o protagonista (Denzel Washington), que é um desses soldados marionetes, também, como o protagonista de Unknown, acaba realizando um objetivo contrário ao que inicialmente fora programado pela agência maligna. Isso porque uma amiga completamente ocasional, que o ajudava com ares de inocência, e que de algum modo parecia até trabalhar para essa mesma agência maligna (como o próprio Denzel passa a suspeitar em algum ponto), no fim se revela uma agente secreta, só que de uma agência rival àquela, ou seja, uma do bem. Então, ela só precisou reprogramar a mente de Denzel para que, no preciso momento em que ele havia sido programado para assassinar o presidente, acabasse contudo atirando em seu colega manipulado (o recém eleito vice-presidente) que estava lá para se apropriar do posto do novo presidente após esse ser executado em pleno discurso de posse (ou seja, de acordo com uma famosa teoria da conspiração, o colega de Denzel seria o equivalente fictício do Lyndon Johnson, que de vice-presidente assumiu a posição do Kennedy após esse ser morto, o que o teria permitido retomar certos planos de guerra do governo; enquanto Denzel ficaria como o Lee Oswald da estória — embora o filme inverta o resultado final da situação, salvando ficticiamente o “Kennedy” e tendo uma vingança contra os conspiradores).

   Agora veja-se que é possível traçar uma série de elementos análogos entre esses dois filmes: 

  • o protagonista fazia parte de um plano diabólico e estava de algum modo destinado a executar uma ação perversa; 
  • no entanto, sem ao menos perceber, seu destino é influenciado por uma força invisível que o faz realizar exatamente o contrário do que estava programado para fazer;
  • essa força invisível está representada por uma organização extremamente oculta (do bem) que se adianta em relação ao outro grupo secreto do mal;
  • temos uma presença feminina que age em nome da organização secreta do bem e que está disfarçada de uma pessoa simples do povo (taxista, num caso; caixa de supermercado, no outro), de quem jamais se suspeitaria que estivesse em tal posição;
  • o plano diabólico da organização maligna consiste em levar a cabo uma “política conservadora” (num caso, sabotar um projeto científico de caráter progressista, que prejudicaria os grandes industriais; no outro, colocar no governo um novo presidente, que é sustentado pelos setores militaristas), sendo portanto a organização secreta do bem uma representante das forças políticas revolucionárias que teoricamente combateriam o jogo sujo dos conservadores;
  • o protagonista tem sua memória danificada e fica sem saber que a princípio estava servindo o mal... no entanto, influenciado pela agente da organização oculta do bem, muda de lado após uma experiência catártica de recuperação de suas lembranças obscuras (em linguagem simbólica, nesse instante ele atinge a ‘gnosis’, o conhecimento místico, e isso graças à aceitação do elemento feminino sagrado — a Eva com seu fruto proibido —, descobrindo que vivia uma ilusão no plano demiúrgico);

   Como se vê, tem-se dois filmes diferentes, mas que acabam contando praticamente a mesma estória, ou que ao menos reproduzem a mesma estrutura básica de mitologia gnóstica, com uma série de pontos em comum. Muitos outros filmes seguem este exato padrão mitológico, na maioria das vezes porém apelando a elementos sobrenaturais e puramente fantásticos. Assim, o diferencial que vemos nas obras citadas é que essas buscam trabalhar a idéia de manipulação da realidade no âmbito de um universo veraz (isto é, sem o subterfúgio de realidades alternativas, mágicas ou cyber-futuristas). Por essa razão é que a verossimilhança dos fatos narrados acaba tendo que ser forçada a uma zona crítica de nossa tolerância especulativa, levando-se em conta o realismo proposto nos filmes. Ainda assim, sendo precisamente este o objetivo — mostrar que, mesmo em nosso mundo real, concreto, as sociedades secretas possuem completo domínio da realidade — não se pode dizer que o caráter inverossímil dessas manipulações se deva a falhas do enredo; de fato, esse caráter inverossímil (mas não absurdo, mágico, sobrenatural) constitui o próprio trunfo em que tais grupos ocultos desejam se ver celebrados enquanto forças que já ultrapassaram todos os limites comuns de poder humano.

   O filme Limitless (Sem Limites), de 2011, embora não ofereça exatamente o mesmo tipo de relato sobre organizações secretas que manipulam a trajetória inteira de um personagem, flerta com este assunto em diversos pontos da trama, sobretudo no desfecho, onde é explicado como se daria a extensão de poder mental desses indivíduos tão especiais pertencentes a sociedades secretas (sendo o protagonista um símbolo dessas pessoas).

   A estória é centrada numa nova substância farmacêutica produzida clandestinamente, que acaba vazando para mãos erradas; acontece que essa substância, embora apresente sérios danos colaterais a quem a utiliza (análogos aos de uma droga como a cocaína), possui efeitos quase milagrosos, tornando-se assim objeto de forte disputa entre indivíduos do submundo da indústria e do crime. O efeito dela consiste em potencializar a capacidade cerebral de quem a ingere, de modo a tornar o indivíduo praticamente um gênio instantâneo, apto a manter-se por um tempo num estado de super concentração e inspiração, podendo assim realizar tarefas quase sobre-humanas.

   Com essa incrível habilidade, o protagonista — que a princípio é só um escritor fracassado que por acaso topa com um traficante dessa substância — se vê então com uma disposição que jamais tivera antes e, dessa forma, passa a resolver com extrema facilidade todos os problemas de sua vida cotidiana, além de aprender rapidamente a fazer coisas que exigiriam décadas de dedicação. De escrever como um brilhante literato a dirigir como um piloto profissional, de falar vários idiomas a dominar gráficos da bolsa de valores, ele acaba em pouco tempo transformando-se num bem sucedido nome do mundo financeiro... sendo daí promovido como braço direito de um big boss do universo corporativo (interpretado pelo Robert De Niro).




   Naturalmente, conflitos vêm e reviravoltas acontecem ao longo do filme... e no fim vemos o protagonista discutindo com este que foi seu patrão quando ainda trabalhava no setor financeiro. Mas agora nosso herói é um político em ascensão que tem o objetivo de se tornar presidente dos EUA, e já não quer mais nenhuma ligação com seu ex-chefe, pródigo em trabalhos sujos. Diante da recusa de seu antigo empregado em associar-se politicamente aos seus negócios obscuros, De Niro passa a chantageá-lo e inclusive ameaçá-lo de morte, mostrando que um político — mesmo um futuro presidente, ou sobretudo um futuro presidente — não tem lugar neste mundo, e não pode atuar de forma alguma, se não estiver atendendo aos interesses escusos do grande capital, já que nesse caso corre-se o risco de ter sua carreira arruinada ou mesmo sua vida destruída.

   Nesse momento, com uma postura sobremaneira confiante e serena, o protagonista põe-se a dar provas de que não tem mais por que se intimidar com as ameaças do magnata, mesmo sendo esse um sujeito de enorme poder e influência, pois agora é ele quem está numa posição de superioridade, podendo dar as cartas no jogo — isso por conta da inimaginável capacidade cerebral adquirida ao longo dos anos de rápida evolução da sua sinapses neurais. “A van baterá na traseira do táxi... o motorista está distraído, falando no celular a cinqüenta por hora, vinte metros para frear; ele não tem espaço...”, para o que, sem entender o brusco e aparentemente despropositado comentário, De Niro pergunta: “que van?” Em questão de segundos uma van bate na traseira de um táxi do outro lado da rua. “Eu vejo tudo, estou cinqüenta passos a sua frente e de todo mundo. Acha que eu não tenho alguém com uma arma apontada para você agora mesmo? Como sabe se estará vivo ano que vem? Batimentos cardíacos irregulares, paredes do coração dilatadas, a válvula da aorta está reduzida, precisa trocar rápido... mas você já sabia disso, não é?”

   A habilidade de prever acontecimentos a partir de sinais mínimos do ambiente e fazer leitura fria ou diagnósticos médicos com simples toques para sentir a pulsação do enfermo, tudo isso evidencia que o protagonista atingiu agora um nível supremo de inteligência, que lhe permite compreender o mundo como uma espécie de relógio mecânico, do qual é possível enxergar todas as mínimas engrenagens em funcionamento a fim de determinar o que cada haste estará marcando a cada exato instante. Em linguagem gnóstica, o véu do mundo ilusório abriu-se como uma cortina, revelando a natureza espiritual da realidade por trás do universo grosseiro da matéria. 





   Nesse ponto, tudo é espiritualmente visto como matrizes numéricas (como entendido por Pitágoras) e nada mais é um mistério. Todas as coisas podem ser conhecidas... como no experimento mental de Laplace: “Nós podemos tomar o estado presente do universo como o efeito do seu passado e a causa do seu futuro. Um intelecto que, em dado momento, conhecesse todas as forças que dirigem a natureza e todas as posições de todos os itens dos quais a natureza é composta, se este intelecto fosse vasto o suficiente para analisar essas informações, compreenderia numa única fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e os do menor átomo; para tal intelecto nada seria incerto e o futuro, assim como o passado, seria presente perante seus olhos”




   Aqui não tem como não recordar o clássico Matrix, que, embora não seja o foco da nossa análise (por se tratar de uma ficção científica), mostra bem a idéia de iluminação gnóstica na cena em que Neo, após ressuscitar como um Cristo, começa a enxergar o mundo da Matrix (o plano ilusório do Demiurgo) como o que realmente é: um sistema de coordenadas virtuais, que apenas correlacionam uma infinidade de matrizes numéricas. Então os números (como códigos e símbolos esverdeados) são alegoricamente dispostos de modo a formar a visão que o Neo estaria tendo naquele momento, do corredor com os três agentes à sua frente. É porque, nesse instante, nada mais é segredo para ele, que, assim, pode agora manipular completamente a realidade através apenas da força de seu pensamento. Ele — como diz a serpente no Gênesis — tornou-se um deus, graças ao amor de Trinity (representando, obviamente, o sagrado feminino, a Eva com o seu fruto, ou a Virgem com sua divina graça).


   E para concluir a série de comparações com The Game, temos Arlington's Road (O Suspeito da Rua Arlington), de 1999. Mas essa ficará para uma segunda parte.


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A falsidade do jazz

   Ninguém gosta realmente de jazz. Diz-se gostar apenas para parecer cool e se sentir pertencido a uma galera, a uma panelinha descolada.

   Primeiro que jazz é coisa de quem enxerga a música como um mero objeto decorativo. O tipo põe lá para tocar na sua sala um disco do Coltrane só porque isso confere ao ambiente um certo clima, que combina com o seu abajur, com suas cortinas coloridas, com seu sofá listrado, com seus pôsteres de filmes franceses.

   Tudo bem, existem de fato aqueles 2% de fãs genuínos que conhecem a fundo as idiossincrasias sonoras do jazz, e que de algum modo parecem até catalogá-las como figuras esquemáticas de uma apreciação puramente técnica. Contudo, não se pode negar que adquirir um conhecimento especializado dessa natureza equivale a manter como hobby uma coleção de piolhos taxidermizados das mais variadas espécies das Filipinas. Quer dizer, ninguém realmente aprecia o jazz como música — pois dificilmente isso pode ser entendido como música. É mais como um banco de dados de inflexões sonoras, que poderiam ser, indiferentemente, variações de uma bexiga esvaziando ou de uma porta rangendo. E para a maioria dos “manjadores”, ouvir essas frivolidades ruidosas não é mais que um fetiche bobo, como preparar café expresso ou expor bonequinhos de acrílico numa estante.

   Ora, eu consigo cantarolar, por exemplo, a nona sinfonia de Beethoven inteira, os quatro movimentos, praticamente todas as linhas de quase todos os instrumentos — e isso por ter ouvido tantas vezes essa obra máxima da humanidade que ela já se entranhou nos meus nervos, tomando suavemente os espaços entre as sinapses do meu cérebro, como peças que se acomodam perfeitamente em seus devidos encaixes de origem (refiro-me ao maravilhoso senso de harmonia com o qual já nascemos gravado em nossa constituição física e espiritual). Agora eu quero saber quem pode dizer o mesmo de uma porcaria nonsense como Bitches Brew, mesmo tendo posto aquilo milhares de vezes para escutar. Eu mesmo só faria algo assim se me propusessem como um desafio no Caldeirão do Huck, valendo trinta mil em dinheiro — aí, quem sabe, eu decorasse as, digamos, “linhas melódicas” desse treco murmuroso, o que seria, em si, um feito bastante despropositado.

   A verdade é que ninguém dá a mínima para o jazz enquanto uma espécie de som para realmente se ouvir e apreciar, prestando atenção em cada nota, percebendo o valor exclusivo de cada nuance, dentro de um contexto maior em que todos os detalhes se fazem essenciais à obra, e cuja alteração de um só deles acabaria por prejudicar o todo. Pois o jazz é, antes de mais nada, uma simples textura sonora, plácida e indiferente em toda sua extensão, que está lá apenas para atender ao senso estético raso de uns afrescalhados fetichistas, que a absorvem pela periferia de seus inábeis e ludibriados sentidos. Quer dizer, as pessoas se preocupam mesmo é com uma maneira de transformar tal gênero desagradável num artigo de luxo, para comercializar boxes caríssimos de CDs e biografias de tipos que gostam de franzir a testa em poses líricas com seus trompetes, em fotografias monocromáticas. Jazz serve tão-somente para isto: para o sujeito se sentir de alguma forma inserido neste rol de pessoas muito bacanas, sensíveis e iluminadas; para se sentir um pouco mais por dentro do que seria — supõe ele — a “alta cultura”; e coisas assim, de uma auto-eleição grupal bajulatória e infame. É um mercado, um plano virtual, abstrato, altamente aburguesado, aquecido pelo desejo inseguro de se atingir um status de elegância numa sociedade blasé, através do consumo de produtos “refinados” e bem embrulhados para figurarem numa prateleira. Como música mesmo, como arte, como sentimento real, livre e honesto que deveria ser, o jazz não é nada, não tem qualquer valor. É mais como um chapéu em forma musicada, algo para combinar com as calças verdes de bolinhas roxas.

   Mas o pior no jazz são os solos. Numa música de verdade você percebe que os solos fluem naturalmente, mantendo uma seqüência harmônica de notas, isto é, uma linha melódica coerente, em que cada passagem confirma a anterior e antecipa a próxima. No jazz, porém, os solos são despejados aos poucos, como vômitos engasgados expelidos numa privada. Arrghhaarghddughlaghahhh.... então há uma pequena pausa (enquanto a base continua) e o solista toma fôlego para despejar mais alguns fraseados que pouca ou nenhuma ligação tem com o anterior. Uuuuurrghaaashhhlaghlaghaagruuuhr.... e lá se foi mais uma vomitada de notas dissonantes, quebradas, imprevisivelmente previsíveis. Mas espere que ainda virá mais algumas gorfadas arrítmicas — o sujeito parece estar realmente mal.

   A essa altura, um argumento que me lançariam é o de que o jazz é simplesmente ousado demais para a minha pobre mente limitada, oh sim, que o jazz é muito desafiador, que ele carrega uma lógica muito difícil, árdua, inacessível... e que o problema estaria apenas em mim, com a minha cabeça muito quadrada para absorver o incrível impacto alucinante dessa imensa loucura que é o jazz. Aham, logo eu, que estou acostumado a ouvir as peças mais intrincadas e agressivas do King Crimson, como a Larks' Tongues in Aspic, Parte I; ou improvisações endiabradas na guitarra, como a que o Jimi Hendrix executa em sua famosa performance em Woodstock; ou a estupefaciente introdução de Close to the Edge, do grupo progressivo Yes; ou os solos freaks da obscura banda fusion Viola Crayola. — Todos exemplos dos quais nenhum detalhe me escapa aos ouvidos, e que eu posso acompanhar e reproduzir integralmente na minha cabeça, nota por nota, cada vibrato, cada virada de tambor, cada mínimo deslizar de dedos pelo braço do instrumento.

   Não, sem chance, este jamais seria o motivo. Pois não é que eu ache o jazz desafiador, ousado, difícil, insano, incompreensível, bizarro, ou coisa parecida. Muito pelo contrário: eu só acho óbvio, brochante, inofensivo, vago, oco, sem forma, sem cor, sem consistência, sem potência e sem fluência. Não transmite vontade, paixão, graça, sentimento, harmonia, caos, vida, morte, porra nenhuma — pois ali sequer existe uma linha firme e coesa o suficiente para dar sustentação a esses elementos. E se há uma definição de música que eu considero das mais interessantes, é a que foi certa vez proferida pelo sábio Zé Graça (o locutor de vídeos de cassetadas do youtube): a música não pode te deixar com a biluga murcha, ela tem que te deixar com a biluga rrrrrija!



   E o jazz te deixa com a biluga murcha, com o saco tombado, com os pentelhos contraídos e com as bolas desminliguidas. Que esse gênero fique então para os que já possuem naturalmente um pendor para esses traços de impotência.